Um pouco mais fria do que parece

Manu Fernandes

Esse é o meu look de todos os dias: touca, casaco impermeável.

Cheguei na Irlanda e ela é um pouco mais fria do que eu imaginava. Não só por causa do vento lá fora, mas também pela saudade que bate no peito.

É o primeiro post que escrevo em um novo continente e confesso que a ~pressão~ em ser algo bom me consome. Talvez por ter um pai escritor  ou porque sei que muitos amigos vão ler. Mas não importa, preciso deixar isso para lá e dar continuidade ao meu blog.

Estou vivendo o que posso chamar de “melhores dias da minha vida”. Não porque são os meus preferidos, mas porque são os que por tanto tempo esperei. Desde pequena me imaginava na janela do avião, vendo o sol nascer em outro país. Claro, nem tudo é como a gente planeja e a companhia aérea me deu a poltrona da fileira do meio.

Meu voo foi tranquilo e conturbado, devido ao espaço não consegui dormir. Mas também porque senti um calor infernal; por sorte, encontrei uma salinha no meio do avião (era como se fosse uma mini copa) e lá o ar condicionado estava agradável e também tinha sucos e comida. Pra quem não sabe, sou taurina, então adorei ficar por lá.

Céu dizendo: hello!

Cheguei em uma manhã nublada, um dia típico irlandês. Assim que sai do aeroporto, já me deparei com um mundo novo, ruas no sentido oposto, motoristas também. Minha cabeça foi dominada por diversas frases prontas e clichês que gritavam como se eu fosse várias pessoas em uma só.

“Eu estou aqui.”
“Eu cheguei.”
“Ai meu deus, eu vou ter que falar em inglês”
“Calma.”
“Ai que lindo.”
“Meu deus, preciso mandar pros meus pais.”
“Não tenho internet.”
“Preciso ver como ter internet.”
“Será que vamos no mercado?”
“Mas já tá chovendo?”

E por aí vai. Provavelmente atingi o máximo de pensamentos por segundo que já consegui.

E agora, quase um mês depois, escrevo por aqui e pretendo voltar mais vezes. Organizarei com calma passeios, pensamentos, dúvidas e vivências. Mas às vezes apenas aparecerei para breves relatos como esse.

Preciso correr atrás, afinal, meu pai já me escreveu duas cartas.

See you!

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